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Greve geral (sindicalês)

Uma greve de muitos empregados do Estado, devidamente protegidos das agruras do mundo real, cujos "direitos" não são afectados, e ...

Nós vistos por eles

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«All the people like us are We, And everyone else is They.» — Rudyard Kipling

Onde se dá voz aos estrangeiros que falam de nós, em particular aos desgraçados que têm que nos aturar todos os dias. Não têm aqui lugar os que eram merdas nos seus países natais e, passados alguns anos em Portugal, aculturados à força de sol e vinho tinto, têm os mesmos vícios dos portugueses, sem terem nenhuma das suas virtudes - o Impertinências, infelizmente, já teve ocasião de lidar de perto com vários. Quem aqui tem lugar são os estrangeiros que gostam do país e dos portugueses (duma parte deles, pelo menos) mas detestam a mediocridade que os portugueses segregam quando se juntam em grandes rebanhos.

Novos situacionistas

Durante as quase 5 décadas que durou o salazarismo, os adeptos do «Regime», também conhecido por esses adeptos e pelos seus opositores como «Situação», eram, com toda a propriedade, chamados «situacionistas». É por isso que, igualmente com toda a propriedade, Helena Matos escreveu, referindo-se aos instalados no aparelho socialista, «os contestatários dos anos 60, são agora a Situação».

É, por isso, que também no (Im)pertinências já se tinha feito equivaler, ao menos como caricatura, o Estado Social ao Estado Novo, o Partido Socialista à União Nacional, as Juventudes Socialistas à Legião, o Socras ao Botas, ficando, por agora, ainda pendente a PIDE, que durante o marcelismo foi rebaptizada de DGS (Direcção-Geral de Segurança), um nome bastante aceitável no contexto do socratismo.
O

Opinion dealers

Opinion makers cujo modo de vida consiste em vender opiniões por conta de outrem. Friedrich Hayek no seu artigo «The Intellectuals and Socialism», adoptou a seguinte definição para designar intelectuais: «professional secondhand dealers in ideas». Estamos a falar de coisas parecidas.

Óropa

A Europa do doutor Soares, do engenheiro Guterres et alia, a Europa social, dos direitos, das liberdades, dos subsídios, o seguro contra todos os riscos que a preguiça e a falta de iniciativa imaginam ter subscrito. Distingue-se da Europa do doutor Louçã, que tem mais charros e abortos, e da Europa do doutor Carvalhas senhor Jerónimo, que ia do Atlântico aos Urais, mas já não vai.
P

Pactologia (Politiquês)

«Recurso à conversa dos consensos (ver) para ocultar a incapacidade de se assumirem posições difíceis, em nome das quais, justamente, se foi eleito», professor M. M. Carrilho dixit.

Países em vias de subdesenvolvimento

Primeiro havia os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos. Depois o politicamente correcto impôs-se e os países subdesenvolvidos passaram a ser países em vias de desenvolvimento, ainda que muitos deles não dessem quaisquer sinais de vir a ser desenvolvidos. Pelo caminho, vários outros conceitos socioeconómicos foram surgindo: economias emergentes, NIC (newly industrialized countries), failed states, etc. Faltava porém uma nova categoria, para classificar estados como Portugal e Itália que, estando em vias, não encaixam em nenhum das categorias existentes. Faltava. Já não falta, graças a AB, que não por acaso é luso-italiano (ou italo-lusitano). São os países em vias de subdesenvolvimento.

Período de borla

Diz-se do período de graça concedido pelos sujeitos passivos ao governo, que foi, ou está a ser, malbaratado por anúncios mirabolantes, pelo uso intemperado do marketing político, pela gestão chicoesperta das expectativas, pelo insulto à inteligência dos eleitores, pela escassa capacidade concretizadora.