Um ser obcecado pelo sexo, com fixação paroxística nas genitálias, nos fluídos e em geral na escatologia do sexo. Demonstra também irreprimível tendência para a obscenidade e, caso seja capaz de falar, usa uma linguagem de carroceiro, com a qual exalta as suas alegadas proezas sexuais. Os dados clínicos evidenciam uma notável frequência de patologias ligadas ao sexo, tais como impotência, erecção frouxa e ejaculação precoce. Numa percentagem significativa ocorre como compensação numa relação de submissão a um parceiro sexual dominador.
Numa perspectiva sociológica, certos autores caracterizam o grunho como um ser em que ocorreu uma ruptura entre o
self identitário e o
self narrativo - em linguagem vulgar, as suas tretas são
bullshit, como diria La Palice. Do ponto de vista zoológico existem duas variedades de grunho:
grunhus vulgaris e
grunhos litteratus. Tal como as mulas, os grunhos não se reproduzem. O meio ambiente, só por si, não gera um grunho, mas potencia o desenvolvimento das suas características congénitas. Em sentido contrário, um
grunhus vulgaris pode perder as suas características diferenciadoras e voltar à normalidade, desde que permaneça por tempo suficiente num ambiente favorável. O
grunhus litteratus é, em regra, irreversível.
(Colaboradores especializados: Doutora Ana, psicóloga clínica de profissão e socióloga nas horas vagas, e Doutor X, veterinário do Zoo de Lisboa, que pediu o anonimato)