Impertinências


# publicado pel'O Impertinente

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Efeito Lockheed TriStar
Nos finais dos anos 60 a Lockheed desenhou um novo avião para concorrer com o Boeing 747, que usaria motores revolucionários especialmente desenhados pela Rolls Royce. Primeiro desastre: a Rolls Royce entrou em falência para produzir os motores a um custo 4 vezes superior ao orçamentado. Para piorar as coisas, o choque petrolífero de 1973 aumentou o preço do jet fuel a um nível que tornou economicamente inviável para as companhias de aviação a operação do Tristar com esses motores excessivamente gulosos, desenhados para os tempos do petróleo a pataco. Segundo desastre: a Lockheed, com o argumento de já ter investido muitos milhões de dólares, decidiu continuar a investir e a produzir o L-1011 TriStar para não perder o investimento já realizado. Em resultado, ao fim de 14 anos de produção, vendeu, a preços de saldo, metade do volume de break-even e perdeu várias vezes o valor que teria perdido se interrompesse a produção em 1974, quando já era claro que o avião era inviável.

Auto-estrada mexicana
A estória é a de uma auto-estrada que o governo mexicano teria inaugurado com pompa e circunstância pelo facto de dispor de 3 estreitíssimas faixas. As faixas, de tão estreitas, originaram inúmeros acidentes, forçando o governo passado pouco tempo a reduzi-las para duas, com o argumento que da redução de pouco mais de trinta por cento do número de faixas resultaria um maior acréscimo de segurança. Talvez o resultado tivesse sido mais segurança, mas o que resultou, sem margem para dúvidas, foram enormes engarrafamentos que levaram o governo a voltar ao número original de faixas anunciando entusiasticamente que o número de faixas iria ser aumentado de cinquenta por cento.

Engenharia financeira
Actividade de extorsão futura dos sujeitos passivos, sobreviventes da grande hecatombe fiscal, para pagar elefantes brancos promovidos pelos actuais governantes. Eventualmente, os sujeitos passivos do presente aceitaram distraidamente fruir com alegre inconsciência desses elefantes brancos.

Justiça de causas
É a justiça praticada por alguém «who understands that justice isn’t about some abstract legal theory or footnote in a casebook. It is also about how our laws affect the daily realities of people’s lives» (Obama says) e que, portanto, não é alguém que «who is dedicated to the rule of law, who honours our constitutional traditions… and the appropriate limits of the judicial role» (Obama says).

Caminho para a servidão
O Caminho para a servidão é uma área do (Im)pertinências, dedicada ao Portugal colectivista, que foi buscar o seu nome à obra de Friedrich Hayek de 1944. Quando foi publicada nesse ano The Road to Serfdom, já era visível o fim próximo do eixo alemão-italiano-japonês; por isso Hayek visava muito mais os germes do colectivismo que floresciam nas sociedades democráticas ocidentais (e a expansão do comunismo) do que os regimes nazi-fascistas na iminência do colapso.
A crise financeira e económica internacional que cavalgou a crise estrutural da economia portuguesa está a ser um poderoso álibi para o colectivismo imanente na sociedade portuguesa que impregna a partidocracia doméstica reforçar a sua influência a pretexto do alegado falhanço do alegado neo-liberalismo que, seja lá o que se entenda por tal, nunca fez parte das doenças que nos assolaram nem das mezinhas que tomámos, pelo menos desde Dona Maria II.

Manipulado
Uma notícia preparada numa farmácia de manipulação e zelosamente publicada por um ou mais jornalistas esperançosos de um dia serem convocados para uma comissão de serviço.

Países em vias de subdesenvolvimento
Primeiro havia os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos. Depois o politicamente correcto impôs-se e os países subdesenvolvidos passaram a ser países em vias de desenvolvimento, ainda que muitos deles não dessem quaisquer sinais de vir a ser desenvolvidos. Pelo caminho, vários outros conceitos socioeconómicos foram surgindo: economias emergentes, NIC (newly industrialized countries), failed states, etc.
Faltava porém uma nova categoria, para classificar estados como Portugal e Itália que, estando em vias, não encaixam em nenhum das categorias existentes. Faltava. Já não falta, graças a AB, que não por acaso é luso-italiano (ou italo-lusitano). São os países em vias de subdesenvolvimento.
# publicado pel'O Impertinente

Definições Impertinentes 

Abrunho
Uma mente simples, provavelmente boa pessoa, trabalhador e homem de bem a quem a um farol da cultura ligth tenta humilhar do alto da sua pesporrência.

Afonso (ver Avaliação Contínua).

Alf
Um simpático alienígena, chamado Gordon Shumway, oriundo do planeta Melmac aterrou a sua nave no dia 22 de Agosto de 1986, em Los Angeles no quintal dos Tanners que até hoje o conseguiram esconder dos vizinhos Ochmoneks.
Quando chegou a casa dos Tanners, Alf tinha 229 anos, dos quais 122 anos frequentando a universidade de Melmac - uma das coisas que mais o aproximava dos nossos jovens. Também tinha sido capitão da equipa Bouillabaisseball.
O Impertinente teve o privilégio de conhecer pessoalmente Alf no verão de 2002, durante as suas férias com os Tanners na Quinta da Balaia, onde comeu todos os gatos das redondezas. Talvez por isso, desde então, Alf passou a acompanhar regularmente a vida política e cultural portuguesa e, diz-se, um simples diz-se, frequenta o blog do Abrupto.
O Impertinente está em negociação com Alf para publicar excertos do seu Diário que foram recusados pelo Abrupto (especula-se que terá sido Alf a soprar aos ouvidos do Dr. Paulo Querido aquela sugestão de classificar o Abrupto no capítulo Tele-escola).

Alibi (juridiquês)
Um expediente que, com o auxílio duma agenda dinâmica, permite ao arguido demonstrar que em qualquer altura se encontrava sempre noutro lugar. Este expediente é, simultaneamente, uma negação experimental dum velho axioma da geometria não euclidiana (no mesmo ponto não podem encontrar-se ao mesmo tempo dois corpos diferentes, mas está visto que podem, pelo menos é essa a tese dos investigadores do caso Casa Pia) e dum velho princípio da física clássica (o mesmo corpo não pode encontrar-se ao mesmo tempo em dois pontos diferentes do espaço, e está visto que pode, se tiver uma boa agenda).

Alterblogue (d'aprés O Anacleto)
Um blogue que é só fumaça. Que não acredita em bruxas, só em conspirações. Que não publica posts, divulga manifestos. Que defende o acesso 24/7/365 aos bancos de esperma. Numa palavra: um blogue que é um aborto.

Áreas temáticas
Na geografia impertinente, são províncias de intervenção do Impertinente, tais como:
Arte independente
(ver Teatro independente)

Artigo defunto (ver Área temática)
Onde se exumam cadáveres que apodrecem em páginas de jornais infestados pelo jornalismo de causas e pelo jornalismo de opiniões. Cadáveres alinhavados umas vezes por falta de vergonha, outras por incompetência.

Assassinamento (etimologês)
O assassínio por razões políticas em que não são suspeitos bebedores de «hasis» (charro, erva, merda). Por vezes também usado em vez de assassinato político, quando a língua materna dos suspeitos não é o inglês. Um substantivo com uma bela sonoridade, que talvez não exista em português, o que para o caso não interessa. Importante é que assassinamento, palavra infiltrada pela política, é mais um adjectivo do que um substantivo (teria dito Baptista-Bastos se se tivesse lembrado).

Auto-estima (politiquês)
Atributo cuja alegada falta serve de escapatória, de desculpa de mau pagador, a fazer pela vidinha, dar corda aos tamancos, trabalhar duro, contar consigo próprio, assumir riscos, não contar com ovos no cu da galinha.

Auto-estrada mexicana
A estória é a de uma auto-estrada que o governo mexicano teria inaugurado com pompa e circunstância pelo facto de dispor de 3 estreitíssimas faixas. As faixas, de tão estreitas, originaram inúmeros acidentes, forçando o governo passado pouco tempo a reduzi-las para duas, com o argumento que da redução de pouco mais de trinta por cento do número de faixas resultaria um maior acréscimo de segurança. Talvez o resultado tivesse sido mais segurança, mas o que resultou, sem margem para dúvidas, foram enormes engarrafamentos que levaram o governo a voltar ao número original de faixas anunciando entusiasticamente que o número de faixas iria ser aumentado de cinquenta por cento.

Avaliação Contínua (ver Área temática)
A avaliação a que o Impertinente submete as acções, os pensamentos, ou a falta delas e deles, das personalidades, das luminárias, dos socialites, e até das instituições, resulta numa pontuação (de 1 a 5) atribuída numa das seguintes dimensões:
Há um sem número de Secções de avaliação.

Bastonada (Juridiquês)
Uma desastrada asneira dita pelo bastonário dos advogados, como em O senhor procurador-geral tem de pôr termo a isto, ou então alguém tem de pôr termo ao procurador. É tão simples como isto.

Blogaridades (Ver Área temática)
Onde se tratam dos assuntos da Bloguilha, de trivialidades a coisas mais sérias. Aqui se pode, ocasionalmente, produzir alguma má-língua para apimentar os blogueiros.

Bloguenauta
Um membro da Bloguilha, isto é uma alma penada que escreve tretas ... (ver Bloguilha), com a particularidade de navegar compulsivamente, em todas as épocas do ano, inclusive durante o Natal, ou natal (aquela porcaria do costume em dose ainda mais intensa, A Praia dixit).

Bloguilha
A comunidade blogueira da paróquia PT, composta por uns milhares de almas penadas que escrevem tretas e as lêem entre si, e dão a ler a mais umas quantas outras almas, que ainda não tiveram tempo para construir um blogue ou são demasiado preguiçosas para o fazer.

Bourbon (ver Avaliação Contínua)

Breiquingue Niuz
Uma nova área temática (ver) onde o Impertinências trata na primeira oportunidade os assuntos que já saíram das primeiras páginas dos jornais faz um tempo. A primeira oportunidade para um gajo que seja rico, desempregado, estudante, professor com horário zero, funcionário do ministério da agricultura é uma coisa. A primeira oportunidade para um gajo que é um profissional liberal semi-aposentado é outra. Os clientes que ocupam a parte que não está no semi só pagam contra output. Se há circo, há dinheiro. Senão, não.

Caminho para a servidão
O Caminho para a servidão é uma área do (Im)pertinências, dedicada ao Portugal colectivista, que foi buscar o seu nome à obra de Friedrich Hayek de 1944. Quando foi publicada nesse ano The Road to Serfdom, já era visível o fim próximo do eixo alemão-italiano-japonês; por isso Hayek visava muito mais os germes do colectivismo que floresciam nas sociedades democráticas ocidentais (e a expansão do comunismo) do que os regimes nazi-fascistas na iminência do colapso. A crise financeira e económica internacional que cavalgou a crise estrutural da economia portuguesa está a ser um poderoso álibi para o colectivismo imanente na sociedade portuguesa que impregna a partidocracia doméstica reforçar a sua influência a pretexto do alegado falhanço do alegado neo-liberalismo que, seja lá o que se entenda por tal, nunca fez parte das doenças que nos assolaram nem das mezinhas que tomámos, pelo menos desde Dona Maria II.

Carta Aberta
É uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.

Case study (ver Área temática)
Como o nome sugere, aqui se viram do direito e do avesso e se dissecam exemplos notáveis que embasbacam o Impertinente.

Chateaubriand  (ver Avaliação Contínua)

Citações nómadas (intelectualês)
Citações, feitas por um líder ou candidato a líder, que distribui, em acto ou em potência, sinecuras. São citações sem a consultoria dum especialista, que, porém, já se perfila para emprestar os seus sábios conselhos a troco dum prato, se não puder ser um tacho, de lentilhas.

Cóltura (intelectualês)
Segundo a Wikipedia A Cóltura (com maiúscula) é a actividade das pessoas cóltas, que concebem óbjectos cólturais invendáveis. Os cóltos não costumam ter, a não ser marginal e esporadicamente, um labor produtivo - fogem dele como o diabo da cruz. Tentam, e por vezes conseguem, obter uma sinecura do Estado (com maiúscula) . Geralmente chegam a este ponto depois de viverem às custas do mecenato familiar, de amigos e, uma vez ou outra, para os mais talentosos, às custas dum(a) namorado(a) ou dum(a) amante. Há exemplos conhecidos de pessoas cóltas que foram bafejadas ao longo da sua vida por sucessivos mecenatos, às vezes cumulativos. Apesar de pequenas diferenças, segundo as idiossincrasias nacionais, as cólturas dos diferentes países europeus apresentam traços comuns, por influência da cóltura francesa - a estirpe original deste vírus primitivo foi espalhada pelos exércitos napoleónicos. Podemos. por isso, falar sem simplificações exageradas duma cóltura da Óropa.

Condição masculina (Ver Área temática)
Onde se trata da decadência, e das suas origens, do macho humano e em particular do macho lusitano. Esta área temática é dedicada à Doutora Amélia e tem por lema o silogismo: se Deus quisesse que os machos fossem iguais às fêmeas só tinha feito caracóis, e Deus fez um sem número de espécies.

Consenso (politiquês)
Um acordo virtual, sobre matérias que não se sabe exactamente quais são, mas sobre as quais se suspeita existirem opiniões muito diferentes, que nenhuma das partes está muito interessada em conhecer. Durante o processo de procura do consenso todos se sentem obrigados a fingir boa vontade para chegar a resultados práticos que, em definitivo, ninguém quer chegar. Há dois desfechos possíveis para o consenso: o positivo e o negativo (em rigor equivalem-se nos efeitos finais). No consenso positivo concorda-se com «grandes princípios», o que entre gente sem princípios não significa o que significa. No consenso negativo concorda-se que não se concorda, por a outra parte estar de má fé como se demonstrou durante o processo negocial (quem está de má fé é afinal o único ponto insusceptível de consenso).

Convergência real (Europês)
Ao contrário da convergência nominal, que se pode prosseguir à custa da extorsão, como no passado imposta às colónias, ou no presente consentida pelos contribuintes europeus, a convergência real exige esforço. Consiste essencialmente em começar a trabalhar cedo, lavar os pés, não estacionar em cima dos passeios os carros comprados com o dinheiro dos bancos, emprestado pelo sistema financeiro internacional, e last but not least não levar os cães a defecar na rua.

Consolado Período em que o eleito exerce um cargo com visível satisfação própria, mas com enorme frustação dos seus eleitores e um murmúrio eu bem vos avisei dos não eleitores, acompanhado com um olhar cínico para os seus eleitores. Exemplo: os 6 anos em que o Sr. Eng. (Correntes Frouxas) Guterres foi primeiro ministro.

Deixar de dar graxa para mudar de vida Nesta área temática trata-se, com impertinência, das necessárias mudanças de paradigma, do dar corda aos sapatos, do pôr fim às desculpas dos ELES, do pôr a trabalhar os estradistas, do acabar a ilusão do sol na eira e da chuva no nabal. E, claro, trata-se também de como, para fazer isso, termos que emagrecer o monstro, o tratador da vaca marsupial pública, que vituperamos pela palha que consome, mas cujas tetas procuramos sofregamente.
«The word culture comes from the Latin root colere, (to inhabit, to cultivate, or to honor). In general it refers to human activity; different definitions of culture reflect different theories for understanding, or criteria for valuing, human activity.»
Descentrismo
Uma pulsão maioritária entre os portugueses que os leva inexoravelmente a encalhar o chaço num parque de estacionamento evitando cuidadosamente centrá-lo entre as guias pintadas no chão. Guias que, diga-se em jeito de justificação para os praticantes do Descentrismo, foram concebidas por uns atrasados mentais que ainda não repararam que o mini deixou de se fabricar há 30 anos. É difícil distinguir pelos resultados o Descentrismo de esquerda e o de direita, pois levam ao mesmo. Diferente, diferente, só mesmo o Descentrismo oblíquo que é muito mais eficiente visto que atrapalha a esquerda e a direita. Talvez por isso, é claramente o mais representativo dos Descentrismos.

Diálogos de Plutão
O Plutão destes diálogos é o planeta mais pequeno do sistema solar, o mais afastado e o que tem a órbita mais inclinada relativamente aos outros. É por isso um planeta excêntrico, desalinhado, desconforme, fora do baralho e, portanto, impertinente. Aliás há quem não o considere sequer um planeta. Os diálogos deste Plutão, são conversas excêntricas, ouvidas ou imaginadas, que talvez até nem sejam conversas.

Diário de bordo
Uma área temática (<=) onde o Impertinente suspira e solta os seus gritos d’Alma. Aqui aflora, uma vez ou outra, o lado feminino do Impertinente.


Dicionário do Ês
Acervo de vocábulos e de termos próprios do linguajar de várias tribos ociosas. Compreende dialectos sortidos, tais como: economês, europês, critiquês, intelectualês, juridiquês, politiquês, entre outros. O dicionário inclui também locuções, que são expressões coloquiais coloridas e cabalísticas usadas entre os membros da mesma tribo.

Direitos adquiridos (Politiquês)
Direitos que os seus detentores pretendem manter, essencialmente à custa dos que os não podem adquirir, por já terem sido adquiridos. Pertencem à categoria das chamadas conquistas de Abril e são as nossas vacas sagradas.

(La) Donna e un animale stravagante
Uma área temática inspirada no dueto da ópera de Gaetano Donizetti Elisir d'amore em que o charmoso Belcore e a alma simples Nemorino disputam o coração volúvel de Adina. É, por assim dizer, uma homenagem às gajas que um homem se esforça por compreender sem sucesso e, à falta de outra coisa, se limita a amá-las o melhor que pode e sabe.

Ecoanomia
Um sistema económico em que não são válidas as leis da economia; os agentes ecoanómicos encontram-se num estado de dissonância cognitiva não se-governando-se, nem se-deixando-se governar, pelas regras económicas correntes nas economias.

Economia mediática
Aquilo de que falam os «200 palhaços que vão à televisão falar de economia» (professor João César das Neves). Disciplina que compreende desde uma caldeirada de desconchavos e demagogia (worst case) até às maiores banalidades (best case) e que em média é bastante medíocre.

Efeito Lockheed TriStar
Nos finais dos anos 60 a Lockheed desenhou um novo avião para concorrer com o Boeing 747, que usaria motores revolucionários especialmente desenhados pela Rolls Royce. Primeiro desastre: a Rolls Royce entrou em falência para produzir os motores a um custo 4 vezes superior ao orçamentado. Para piorar as coisas, o choque petrolífero de 1973 aumentou o preço do jet fuel a um nível que tornou economicamente inviável para as companhias de aviação a operação do Tristar com esses motores excessivamente gulosos, desenhados para os tempos do petróleo a pataco. Segundo desastre: a Lockheed, com o argumento de já ter investido muitos milhões de dólares, decidiu continuar a investir e a produzir o L-1011 TriStar para não perder o investimento já realizado. Em resultado, ao fim de 14 anos de produção, vendeu, a preços de saldo, metade do volume de break-even e perdeu várias vezes o valor que teria perdido se interrompesse a produção em 1974, quando já era claro que o avião era inviável.

Eles (socialês)
(1) Os culpados da nossa miséria (dos fascistas aos liberais, passando pelos comunistas e, sempre, os espanhóis, e, em alternância, o governo e a oposição).
(2) Os responsáveis pelo trânsito da miséria para a felicidade (quase todos os referidos). Antónimos: EU (que não sou parvo e não tenho nada a ver com isso) e NÓS (EU, a minha MÃE, a minha patroa, os putos, os amigos, talvez o clube, e o partido, às vezes).

Ejaculação do órgão legislativo
Tal como o macho, em muitas espécies, termina o seu papel face aos nascituros, futura prole, com o disparo genital, assim a assembleia da república com as suas leis, o governo com os seus decretos-lei, decretos, decretos regulamentares, portarias, e as câmaras municipais, que tal como as galinhas, fazem posturas, terminam o seu papel com o diploma ejaculado. A este acto podemos, com toda a propriedade, chamar ejaculação do órgão legislativo, que costuma produzir esperma infértil e com bichinhos sem cabeça, à imagem do órgão.

Emplastro
Um sujeito que não servindo para nada, senão para confundir e atrapalhar, é um candidato permanente aos chateaubriands. Os emplastros são geralmente pessoas bem intencionadas, bons samaritanos, tipo mãe ansiosa, tudo aceitando, tudo compreendendo. Gostariam de espalhar a sua fé nos milagres da tolerância, mas faltam-lhes (felizmente!) as ganas e a persistência para o fazerem, ficando pelas boas intenções. Exemplos de emplastros: os multiculturalistas, os ambientalistas compulsivos, e em geral quase todos os sociólogos e antropólogos, profissões onde o emplastrum é endémico e que, por isso, emplastram tudo onde tocam.

Encalhada
Uma nau catrineta varada nas areias, sem capitão, nem marujos, com um gajeiro cego, numa noite escura, esperando que a desvairem.

Engenharia financeira
Actividade de extorsão futura dos sujeitos passivos, sobreviventes da grande hecatombe fiscal, para pagar elefantes brancos promovidos pelos actuais governantes. Eventualmente, os sujeitos passivos do presente aceitaram distraidamente fruir com alegre inconsciência desses elefantes brancos.

Esquerda inteligente
Há quem defenda que existe uma contradição nos termos esquerda e inteligente. Mas são fanáticos de direita a quem não devemos emprestar os ouvidos. Definir esquerda é complicado, mas é possível formular a coisa duma forma simples. Para mim, esquerda é o credo que sacrifica a liberdade em nome da igualdade, na dúvida (esquerda «democrática») ou sempre (a «outra» esquerda). Dependendo do tamanho da certeza ou da dúvida, podemos aqui meter toda a gente de esquerda – desde o doutor José Estaline, que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava, até ao engenheiro Guterres, que só tinha dúvidas e estava sempre a enganar-se. Definir inteligente é estupidamente difícil. Para simplificar, inteligente é aquilo que consigo suportar sem agonia – é um bocado subjectivo, mas o blogue é meu.

Esquerdalhada
Uma turba de órfãos políticos, intelectuais desocupados, esquerdistas senis, feministas MF, gays, lésbicas, bissexuais pusilânimes, e, em geral, a infantaria do politicamente correcto.

Esquerdismo senil
Se o esquerdismo foi a doença infantil do comunismo, no seu período de ascensão, segundo o camarada Ulianov revelou aos crentes no 2º Congresso da Internacional, então depois do seu colapso generalizado, poderemos dizer que o esquerdismo é a doença senil do socialismo? Uma rectificação: o colapso do comunismo não foi generalizado - há um pequeno edifício na Rua Soeiro Pereira Gomes que escapou ao colapso.

Estado napoleónico-estalinista
Um estado omnipotente e omnipresente que oprime uma nação colectivista da ÓRÓPA que mantém com ele uma relação de amor-ódio. Um estado governado por ELES. Um estado que alimenta uma VACA MARSUPIAL PÚBLICA. Em poucas palavras: um estado em que «a mera mudança de nome para Y Dreams demorou um ano» (António Câmara).

Estado de Sítio
Uma área temática onde se dão exemplos do quotidiano do estado em que se encontra o estado napoleónico-estalinista e do sítio que este estado faz aos seus cidadãos.

Estatísticas de causas
Estatísticas produzidas por um «Instituto Nacional de Sensações (ou de Palpitações)» para alegria dos economistas de fé e animação do povo. As estatísticas de causas dão razão, com uns bons 150 anos de atraso, a Benjamim Disraeli, primeiro ministro de SM da rainha Victoria. «There are lies, there are damned lies, and there are statistics», escreveu ele premonitoriamente, mesmo sem ter tido a oportunidade de conhecer a produção do INS.

Estória
Um acontecimento real ou imaginado que serve para soltar a bazófia moralista do Impertinente.

Estórias e morais Ver Área temática)
Uma colectânea de pretextos para o Impertinente soltar a sua bazófia moralista.

Estradista
Um político que substitui visão política, capacidade de liderança e outros atributos geralmente associados a um estadista, pela quilometragem nas campanhas eleitorais em que participa e pelo pastoreio das ovelhas do partido.

Função Zingarilho
Zingarilho ou zangarilho é uma pessoa que anda sempre para trás e para diante, salta-pocinhas (Dicionário Cândido de Figueiredo). Uma função zingarilho é uma função salta-pocinhas, que pode ter um dos seguintes quatro tipos:
* Quanto mais X, mais Y (ex. quanto mais me bates, mais gosto de ti)
* Quanto mais X, menos Y (ex. quanto mais choras, menos mamas)
* Quanto menos X, menos Y (ex. quanto menos trabalho, menos vontade)
* Quanto menos X, mais Y (ex. quanto menos dinheiro, mais dívidas)

Galifão
Um marido a querer ser simpático com uma marafona que não é a patroa dele.

Grunho
Um ser obcecado pelo sexo, com fixação paroxística nas genitálias, nos fluídos e em geral na escatologia do sexo. Demonstra também irreprimível tendência para a obscenidade e, caso seja capaz de falar, usa uma linguagem de carroceiro, com a qual exalta as suas alegadas proezas sexuais. Os dados clínicos evidenciam uma notável frequência de patologias ligadas ao sexo, tais como impotência, erecção frouxa e ejaculação precoce. Numa percentagem significativa ocorre como compensação numa relação de submissão a um parceiro sexual dominador. Numa perspectiva sociológica, certos autores caracterizam o grunho como um ser em que ocorreu uma ruptura entre o self identitário e o self narrativo - em linguagem vulgar, as suas tretas são bullshit, como diria La Palice. Do ponto de vista zoológico existem duas variedades de grunho: grunhus vulgaris e grunhos litteratus. Tal como as mulas, os grunhos não se reproduzem. O meio ambiente, só por si, não gera um grunho, mas potencia o desenvolvimento das suas características congénitas. Em sentido contrário, um grunhus vulgaris pode perder as suas características diferenciadoras e voltar à normalidade, desde que permaneça por tempo suficiente num ambiente favorável. O grunhus litteratus é, em regra, irreversível. (Colaboradores especializados: Doutora Ana, psicóloga clínica de profissão e socióloga nas horas vagas, e Doutor X, veterinário do Zoo de Lisboa, que pediu o anonimato)

Hiper-decisório (politiquês)
Diz-se de alguém cujo hipotálamo hiperactivo, o hipertálamo, o leva compulsivamente a agitar-se e mudar de rumo, perseguindo objectivos difusos e mutatórios e seguindo percursos erráticos. Exemplo: «É hiper-decisório. Como é muito intuitivo e pouco coordenado, tende a ter decisões múltiplas ao longo do tempo.» (diagnóstico do professor Marcelo Rebelo de Sousa em directo na TVI, em 06-07-2004, a respeito do doutor Santana Lopes, nessa altura ainda putativo sucessor do doutor José Manuel Barroso, aka doutor Durão Barroso). Paradoxalmente, um hiper-decisório é equivalente nos resultados a um hipo-decisório. Exemplo: engenheiro Guterres, um hipo-decisório que exerceu o seu consolado antes do consolado do doutor Durão Barroso que foi para a Órópa.

Ignóbil (ver Avaliação Contínua)

Incontornável (politiquês)
Sinónimo de inevitável, como em Pedro Burmester é um artista incontornável, dito em 23-06-2003 pelo Sr. presidente da República, para significar que o Pedro é um grande pianista mas para gerir a Casa da Música é um desastre inevitável. Este termo nasceu durante o consolado do Sr. engenheiro Guterres, aplicável às situações em que nem mesmo a requintada competência do Sr. engenheiro para fintar os problemas tinha sucesso, quando, portanto, os problemas se tornavam incontornáveis.

Impertinências (O) feito pelos seus detractores
Por uma questão de princípio, o Impertinente sempre toma a medicina que receita. É por isso que se dá voz aos críticos do Impertinências – desde que não exagerem. Esta área temática (ver) também poderia chamar-se Impertinências dos utentes. O Impertinente reserva-se o direito da auto-detracção, na falta de detractores que se dêem ao trabalho de detrair.

Jornalismo de causas
Nas palavras iluminadas do jornalista e escritor Armando Baptista-Bastos, o jornalismo de causas é «sobretudo o porta-voz daqueles que não têm voz». É o jornalismo em que «não há factos. Os factos correspondem à visão do mediador, do repórter». É o «jornalismo de indignação», que não é «indolor e incolor» e de revolta contra os que «querem é capar-nos». Para o jornalismo de causas as verdades são todas relativas. E, como no futebol, segundo a definição genial dum condottieri da bola cujo nome não me ocorre agora, no jornalismo de causas o que é hoje verdade pode ser mentira amanhã, e vice-versa.

Justiça de causas
É a justiça praticada por alguém «who understands that justice isn’t about some abstract legal theory or footnote in a casebook. It is also about how our laws affect the daily realities of people’s lives» (Obama says) e que, portanto, não é alguém que «who is dedicated to the rule of law, who honours our constitutional traditions… and the appropriate limits of the judicial role» (Obama says).

La Palice (Monsieur de)
Monsieur de La Palice, poeta e pensador, que nasceu no século XV em França, mas que poderia perfeitamente ter nascido no século XX em Portugal. Um dia escreveu os versos Un quart d'heure avant sa mort, Il était encore en vie

Livro de cabeceira, O meu
O Impertinências também lê. Em vários sítios, em trânsito e também na cama. É das leituras de cama que trata esta área temática, onde se recenseiam obras de grande impacto que derrubam literalmente o Impertinências.

Maninfestação
É uma demonstração infestada de criaturas ociosas com propósitos pueris. Roça, por vezes o obsceno e é geralmente muito ruidosa – gritam-se palavras de ordem que são exemplos de inteligência dos maninfestantes e, quase sempre, insultos à inteligência de que as escuta ou lê.

Manipulado
Uma notícia preparada numa farmácia de manipulação e zelosamente publicada por um ou mais jornalistas esperançosos de um dia serem convocados para uma comissão de serviço.

Marido
Como escreveu a Bomba inteligente, esse farol da cultura bloguista, o étimo de marido ... é o latino maritus, mais precisamente o adjectivo latino mas, maris, que significa viril, e que reconhecemos em palavras como masculino. Marido quererá então simplesmente dizer homem? Pois parece que sim.

Ministro anexo
O ministro anexo, ou da 25.ª hora, é um ministro que não é ministro, mas um oráculo, que concede avales escritos em economês, juridiquês ou noutro dialecto, às promessas de amanhãs que cantam do governo. Exemplo: o doutor Constâncio (d'après doutor Louçã).

Nacional-faixismo
Um movimento social-nacionalista. Um estado de espírito que emprenha o país, do Portugal profundo à socialite ranhosa da Caras, e que leva os portugueses a circular na faixa errada. Como movimento, existe na versão faixismo de esquerda - a mais agressiva, e na versão faixismo de centro. A versão faixismo de centro é, como no resto, provavelmente maioritária, abrangendo os que andam devagar mas têm vergonha de não andar depressa. A versão faixismo de direita é imobilista. É adoptada pelos indígenas que não circulam e encalham o chaço em 2ª fila enquanto vão fazer umas comprinhas, que duram um par de horas.

Nós vistos por eles
Uma área temática (ver) do Impertinências onde se dá voz aos desgraçados dos estrangeiros que têm que nos aturar todos os dias. Não têm aqui lugar os merdas nos seus países natais que, passados alguns anos de estarem em Portugal, aculturados à força de sol e vinho tinto, têm os mesmos vícios dos portugueses, sem terem nenhuma das suas virtudes - o Impertinências, infelizmente, já teve ocasião de lidar de perto com vários. Quem aqui tem lugar são os estrangeiros que gostam do país e dos portugueses (duma parte deles, pelo menos) mas detestam a mediocridade que os portugueses segregam quando se juntam em grandes rebanhos.

Órópa (politiquês)
A Europa do doutor Soares, do engenheiro Guterres et alia, a Europa social, dos direitos, das liberdades, dos subsídios, o seguro contra todos os riscos que a preguiça e a falta de iniciativa imaginam ter subscrito. Distingue-se da Europa do doutor Louçã, que tem mais charros e abortos, e da Europa do doutor Carvalhas, que ia do Atlântico aos Urais, mas já não vai.

Pactologia (Politiquês)
«Recurso à conversa dos consensos (ver) para ocultar a incapacidade de se assumirem posições difíceis, em nome das quais, justamente, se foi eleito», professor M M. Carrilho dixit.

Países em vias de subdesenvolvimento
Primeiro havia os países desenvolvidos e os países subdesenvolvidos. Depois o politicamente correcto impôs-se e os países subdesenvolvidos passaram a ser países em vias de desenvolvimento, ainda que muitos deles não dessem quaisquer sinais de vir a ser desenvolvidos. Pelo caminho, vários outros conceitos socioeconómicos foram surgindo: economias emergentes, NIC (newly industrialized countries), failed states, etc. Faltava porém uma nova categoria, para classificar estados como Portugal e Itália que, estando em vias, não encaixam em nenhum das categorias existentes. Faltava. Já não falta, graças a AB, que não por acaso é luso-italiano (ou italo-lusitano). São os países em vias de subdesenvolvimento.

Período de borla
Diz-se do período de graça concedido pelos sujeitos passivos ao governo, que foi, ou está a ser, malbaratado por anúncios mirabolantes, pelo uso intemperado do marketing político, pela gestão chicoesperta das expectativas, pelo insulto à inteligência dos eleitores, pela escassa capacidade concretizadora.

Pilatos (ver Avaliação Contínua)

Possível (comuniquês)
Uma reportagem, programa, artigo, pergunta, etc., possível é a reportagem, programa, artigo, pergunta, etc., que a incompetência, a ignorância, a falta de tempo, a falta de assunto, ou, abreviadamente, a falta de profissionalismo, permitem a um jornalista, ou outro praticante do comuniquês, levar a cabo sem qualquer espécie de vergonha.

Prisão preventiva (Juridiquês)
Medida prevista na lei e aplicável aos putativos arguidos, que consubstancia uma regalia dos investigadores, dos juizes e dos funcionários judiciais, permitindo-lhes prosseguir e documentar, cuidadosamente e sem pressas desnecessárias, uma investigação. Em certos casos pode atingir 4,5 anos.

Queques de direita
São queques, isto é uns sujeitos que vestem com elegância, parecem bem educados e cultos, mas são essencialmente poseurs, disfarçando a sua falta de substância. Além de queques, são de direita, isto é não sabem bem o que são, só sabem que não são de esquerda.

Radical chic
Um departamento da esquerdalhada (ver), a que faltam as ganas para ser radical, e a pátina para ser chique.

Retro-link (Bloguês)
Um link num blogue para outro blogue onde se contém uma lambidela social ao primeiro, entre mestre e discípulo ou homenagem recíproca entre mestres, conforme o caso, que se citam, cumprimentam, cortejam ou retribuem, conforme o caso. Sendo um dispositivo recíproco e iterativo podem construir-se infinitas combinações: link-retro-link, retro-retro-link, retro-link-retro-link, etc.

Se-atolar-se (politiquês)
Verbo duplamente reflexivo, que traduz uma acção ou uma afirmação, geralmente irreflectida, equivalente a meter-se completamente num atoleiro, ou atascar-se pela frente e por trás. Esta expressão poderia ter sido cunhada pelos especialistas do TT.

Secção
Disciplina onde concorrem as personalidades, luminárias, etc., submetidas a Avaliação Contínia (ver). Estão em constante crescimento e incluem Albergue espanhol (ver), Idiotas Inúteis (ver), Óbvio Ululante (ver), entre muitas outras criadas ou a criar.

Secção Albergue espanhol (com duas subsecções)
Aqui se tratam os casos de recusa da convivência duvidosa entre contrários (a parte boa da secção) ou, pelo contrário, da aceitação particularmente repelente da promiscuidade contra natura (a parte má da secção).

Secção Assaults of thoughts
Secção inspirada em John Maynard Keynes, que um dia escreveu: Words ought to be a little wild, for they are the assault of thoughts on the unthinking.

Secção A título póstumo
Onde o Impertinente recupera com atraso, às vezes irremediável, outras vezes não, duma sua distracção ou da ignorância que o levou a não atribuir na devida altura o merecido prémio.

Secção Com a verdade me enganas
Acontece nas melhores famílias. Distraidamente umas vezes, outras não, falam-se verdades que parecem mentiras, ou vice-versa. Em relação às mentiras, recordo o poeta popular António Aleixo que um dia disse que a mentira para ter alcance e profundidade, tem que trazer à mistura alguma verdade (estou a citar de memória, a minha memória já não é o que foi, e por isso não vale a pena corrigirem-me). Em relação à verdade, a recíproca também parece aplicar-se: a verdade para ter alcance e profundidade, tem que trazer à mistura alguma mentira.

Secção Entradas de leão e saídas de sendeiro
Por vezes o que bem começa, mal acaba, frequentemente por uma ambição não servida pela competência, ou pelas ganas, à altura dessa ambição. Ou por ambas, porque na vida real a competência sem ganas é pura diletância e as ganas sem competência são pura obstinação.

Secção Frases Assassinas
Pela boca morre o peixe. E pelos ouvidos, por onde se emprenha, quem é que morre? Ora, morre qualquer um, mas nesta secção o que interessa são os que matam com palavras. Ou com adjectivos que, como disse Baptista-Bastos (não esquecer o hífen), são a política a infiltrar-se nas palavras.

Secção George Orwell
Diz-se que George Orwell terá dito que há ideias e opiniões tão obviamente idiotas que é preciso ser-se um intelectual para se acreditar nelas. Nesta secção se acolhem as melhores pérolas do espírito das nossas luminárias pensadoras.

Secção Idiotas Inúteis
Se idiotas úteis são os compagnons de route e outros que, não sendo da tribo, lhe fazem distraidamente companhia, idiotas inúteis serão os mesmos idiotas quando não são úteis, como diria o Senhor da La Palice, se ainda fosse vivo.

Secção Insultos à inteligência
Nesta secção se abrigam as mentiras ou sórdidas distorções da verdade para iludir as audiências ou simples vacuidade voluntariamente produzida pour épater le bourgeois.

Secção Musgo Viscoso
O Dr. Mário Soares, num misto de lucidez e de velhacaria, escreveu um dia no DN, logo após a fuga do Eng. Guterres do pântano para o limbo presidencial, que ao PS fará bem uma cura de oposição ... para livrar-se de um certo oportunismo interesseiro e negocista que o atacou, como musgo viscoso.

Secção Óbvio Ululante
Aqui se contemplam os escritos ou ditos de luminárias que partilham revelações exaltantes, se não fossem já lugares comuns. Esta secção é também uma homenagem a Nelson Rodrigues - um anjo pornográfico que vê o amor pelo buraco da fechadura, como ele se (d)escreveu. NR baptizou de Óbvio ululante uma selecção das suas crónicas (Confissões), que publicou durante 1968 no jornal O Globo, a propósito dos desvarios ocorridos nesse ano, que ainda hoje excitam o esquerdismo senil (<=).

Secção Padre Anchieta
O padre José Anchieta, linguista e evangelizador de índios do Brasil, fez imensas coisas, inclusive este poema, que não interessa nada para o caso, mas que cai bem citar no blogue:
Vi-me agora num espelho e comecei de dizer:
Corcós, toma bom conselho
Porque cedo hás de morrer.
Mas, com justamente ver o beiço um pouco vermelho
Disse: fraco estás e velho
Mas pode ser que Deus quer
Que vivas, para conselho
O importante para esta secção é a lenda. Corria o ano de 1554, num certo dia, numa breve parada, após longa, acelerada e extenuante caminhada para Reritiba à frente dos Tupis que lhe carregavam as trouxas, o Padre Anchieta deu-se conta que os índios, sentados sobre as suas tralhas se recusavam a recomeçar. Perguntando-lhes o porquê, explicaram-se os Tupis, com grande soma de pachorra, que na rapidez da caminhada a alma lhes tinha ficado para trás e tinham precisão de esperar por ela.

Secção Perguntas impertinentes
Onde se pergunta aquilo que os perguntados não gostariam nunca que lhes perguntassem, ou, simplesmente dito, se pergunta o imperguntável – uma palavra que não me perguntem se existe.

Secção Res ipsa loquitor
Como seria de esperar numa secção com este nome, aqui se tratam os feitos que falam por si mesmo sem precisarem de grandes narrativas do Impertinente, que, apesar disso, perde quase sempre a oportunidade de ficar calado.

Secção Rilhafoles
Quando o Impertinente era infante e se excedia nas impertinências, a mãe ralhava-lhe, como era costume as mães ralharem aos filhos naquela remota época. Se as impertinências, uma vez ou outra, roçavam o temerário ou a absoluta falta de senso, a mãe culminava a longa sequência de admoestações com o dedo em riste e a apavorante ameaça: continua assim e interno-te em Rilhafoles! Só bastante mais tarde é que o Impertinente veio a saber que Rilhafoles era esse - o antigo convento perto do Campo dos Mártires da Pátria, sede do Real Colégio Militar durante alguns anos e, a partir de meados do século XIX, manicómio que albergava doidos de todo o país, alguns deles com impulsão suicida avant la lettre. Na Secção de Rilhafoles da Avaliação Contínua se trata das criaturas que a mãe do Impertinências poderia, por boas ou más razões, ameaçar punir as suas sandices com o dedo em riste: continua assim e interno-te em Rilhafoles!

Secção Sol na eira e chuva no nabal
Aqui se avaliam os desejos, confessados ou adivinhados, dificilmente conciliáveis a que os humanos frequentemente sucumbem.

Secção Still crazy after all these years
Todos sabemos que com idade a única coisa certa é que aumentam os achaques. Quanto ao resto, umas vezes cresce o siso, outras não. Esta secção trata das vezes em que não. É claro que a falta de siso pode ter ou não nobres causas.

Secção Tiros nos pés
Como muito bem sabe qualquer macho que andou na tropa, o tiro no pé é, geralmente, o resultado duma pontaria baixa, duma mira desalinhada ou duma óbvia incompetência para a arte de atirar.

Secção Universos paralelos
Nos finais de 2002, li vagamente algures que as investigações de dois físicos Robert Foot (Melbourne) e Saibal Mitra (Amsterdão) os levaram a pensar ter encontrado evidências da existência de um Universo paralelo, a partir de observações feitas em imagens do asteróide Eros. Não faço a mínima ideia se estas evidências foram ou não confirmadas mais tarde. Tomo-as como certas porque faz muitos anos que tenho evidências quotidianas da existência de universos paralelos no nosso torrão natal.

Segredo de justiça (Juridiquês)
Mecanismo processual que obriga o putativo arguido a comprar jornais ou a ver televisão para tomar conhecimento da acusação.

Serviço público
Esta área temática (ver) também poderia chamar-se Há vida para além do Impertinências. Aqui se remetem os leitores acidentais para produtos da Bloguilha (ver) ou, por vezes, de fora dela que a um bloguenauta (ver) incauto poderiam, de outro modo, passar despercebidos, por falta de tempo ou por distracção.

Summary for the sake of
It is not a summary and it is not always for the sake of anybody. It is a simply bullshit tale that pretends to tell the same story in English as in Portuguese.

Teatro independente
O teatro que depende do estado; o teatro a quem o estado diz «toma lá dinheiro e faz qualquer coisa» (A. Feio). Por extensão, o conceito pode aplicar-se a qualquer outra arte «independente» cujo público é um qualquer júri a quem pagam para dar pareceres.

Teoria conspiratória ou teoria da conspiração
É uma teoria desenvolvida por uma criatura com acesso ao divino ou equiparado, possuída duma visão que aos comuns humanos é vedada. Quando a criatura a revela aos humanos, a teoria é-lhes inacessível por serem maioritária e obviamente uma cambada de bestas. Só o criador da teoria e uma pequena minoria de eleitos podem ver a conspiração oculta, a mão dos conspiradores e o seu plano.

The Economist
The Economist é provavelmente a melhor revista no mundo da economia, finanças, etc. (um grande ETC.). As assinaturas custam 134,50, 219,50 e 307,00 Euros por 1, 2 e 3 anos, respectivamente. O preço por número semanal é menor do que o daquele semanário que se vende em sacos de plástico.

Tirou-me as palavras da boca
Uma área temática onde se exorciza o ciúme e a inveja por alguém que teve o desplante de escrever uma coisa que estava destinada a ser escrita aqui.

Trivialidades
Blogaridades (ver) fora da Bloguilha (ver). São conversas para entreter. É o refúgio da preguiça do Impertinências.

Tradução de causas
Uma tradução que se está borrifando para o texto e que desafia as ideologias dominantes que suportam a injustiça no mundo. Se Armando Baptista-Bastos fosse tradutor, diria que a tradução de causas é sobretudo o porta-voz daqueles que não têm voz. É a tradução onde não há textos. Os textos correspondem à visão do mediador, do tradutor. É a tradução de indignação, que não é indolor e incolor e de revolta contra os que querem é capar-nos.

Urraca (Ver Avaliação Contínua)

Vaca marsupial pública
Tem mamas, mas não é um mamífero, muito menos uma vaca. É um gigantesco e dispendioso dispositivo de concessão de sinecuras, financiado pela extorsão duma classe de tansos chamados contribuintes. O marsúpio aloja no seu seio muitas dezenas de milhar de vitelos mamões, confortavelmente protegidos do estresse do mundo real, que produzem, com má cara e maus modos, uns vagos serviços caríssimos e de má qualidade.

Valorizar a contextualidade episódica (filosofês-politiquês)
O mesmo que amarrar-se à sela do cavalo do poder, para utilizar uma imagem cara ao general Otelo. Exemplo: «os líderes europeus revelam uma perigosa insensibilidade a este fenómeno (qual fenómeno?), valorizando mais a sua contextualidade episódica do que a sua novidade radical ...» (professor Manuel Maria Carrilho, in Contingências no número da Páscoa de 2004 do semanário do saco de plástico).

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